Sindicato dos Servidores do Tribunal de Contas do Estado e dos Municípios da Bahia

TCE/BAHIA: OS BOIS TÊM NOMES

24 jan 2010

Estão estupidamente desinformados aqueles que optaram pelo silêncio como forma de não esclarecer à opinião pública sobre a caixa preta usada para blindar a Ebal e suas unidades da Cesta do Povo. Há praticamente uma semana bato na mesma tecla: há o sumiço, segundo relatório do atual governo, de quase um bilhão de reais (ou mais) nos últimos anos sem que ninguém fosse responsabilizado por isso. Pois bem: o atual presidente da empresa, Reub Celestino, não dá um pio sobre o assunto. O secretário da Fazenda, Carlos Martins, com quem se encontra o relatório apontando as falcatruas, finge que o tema não lhe diz respeito.

 Os antecessores de Reub, inclusive ligados ao chamado carlismo, se fecharam em copas. Falta apenas a oposição se manifestar.  Tenho, entretanto, má notícia para os senhores que querem ver sepultado o escândalo Cesta do Povo. Vários e-mails me têm chegado nos últimos dias com informações valiosas. Vou publicá-los.
Minha única intenção é passar essa história a limpo. É um bilhão de reais do contribuinte que pode estar sustentando uma corja.  Hoje gostaria de citar correspondência recebida do servidor José de Arimateia Nogueira Alves e reproduzir trechos do e-mail enviado por Washington Pereira, do Blogão do Pereira, que comentou um dos meus artigos nos seguintes termos:
“Em sua coluna na “Tribuna da Bahia”, edição de 21/01, sob o título “Ebal, é pedra, é o fim do caminho…”, o jornalista Janio Lopo defende a extinção do Programa Cesta do Povo, segundo ele, “carcomido pela corrupção, infestado pelo mau uso do dinheiro público e contaminado pelo vírus da roubalheira” durante os governos que antecederam Jaques Wagner, citando nominalmente os ex-governadores Paulo Souto e Otto Alencar. Nas palavras do jornalista, o rombo produzido nas entranhas da Ebal, estatal responsável pelo programa, pode chegar a astronômico R$ 1 bilhão, “algo superior a todo o mensalão, à safadeza de Arruda em Brasília, aos conchavos espantosos que culminaram com o impeachment de Collor da Presidência da República”.
No mesmo artigo, Janio se refere a um relatório com mais de trezentas páginas, produto de uma apuração autorizada pelo governador Wagner e conduzida pelo secretário da Fazenda Estadual Carlos Martins, como uma peça que “exala um forte odor fedorento a partir do seu conteúdo”. Por fim, Lopo afirma que o resultado das apurações em torno das falcatruas na Ebal sofre de “um processo generalizado de amnésia” e que o “assunto não é debatido porque não convém politicamente”. O artigo é forte e precisa ser interpretado por duas vertentes distintas entre si, mas que não se anulam. Ambas podem e devem ser observadas sob a ótica política.
A primeira vertente: o texto busca, de forma clara, atingir a alguém especificamente, o que não lhe rouba credibilidade. Por esse prisma, a verdadeira motivação do jornalista pode estar muito mais ligada às atuais demandas eleitorais do que à sua pretensa preocupação com o destino do Erário Público.
A segunda e igualmente importante, nos remete à possibilidade de estar havendo  nos corredores do Palácio de Ondina, um forte movimento pela transferência para o Senado Federal das reminiscências diabólicas de uma época recente da política estadual, ainda que com os votos do sofrido povo baiano.
Em quaisquer  das hipóteses, cabe ao governador decidir e assumir o ônus ou bônus de ser o guardião do enxofre que teima em permanecer entre as três centenas de páginas amareladas do “Relatório Ebal”, razão do mau cheiro que tanto incomoda e motiva a caneta de Janio Lopo”.
http://www.tribunadabahia.com.br/coluna.php?cCanal=18