Sindicato dos Servidores do Tribunal de Contas do Estado e dos Municípios da Bahia

TCE/BAHIA: MOSTREMOS A CARA DA EBAL

18 fev 2010

Janio Lopo/ 18/02/2010

Há um crime. Um crime monstruoso contra uma população miserável. Um crime que pode ultrapassar R$ 1 bilhão, o equivalente a quase dez vezes o perdão da dívida haitiana contraída junto à França, da ordem de 50 milhões de euros. Os supostos criminosos foram identificados, mas jamais incomodados.
A política os protege. Parte de influentes políticos assegura-lhes a impunidade. São bandidos perigosíssimos. Na linguagem policial são periculosos. Nunca (até onde sei) deram um tiro. O colarinho de suas camisas sociais brilha como a luz do sol. São alvos feito nuvens. Mas pode ser arriscado colocá-los atrás das grades. Quem sabe um efeito bumerangue acabe por contradizer a história e a mulher de César, que deveria não apenas ser, mas parecer honesta, não passasse de um blefe.
O leitor sabe do que falo. Falo da sangria estúpida e assassina contra os cofres da Cesta do Povo, assunto que desenvolvo há quase um mês. Comecei a abordá-lo sozinho, isolado. Hoje, aos poucos, forma-se um pequeno exército encabulado como eu sobre tantos horrores no serviço público, que se posta como se nada, absolutamente nada lhe dissesse respeito, embora fosse a Secretaria da Fazenda do Governo do Estado, através de auditoria, nos primeiros dias de Wagner, que determinou e detectou as falcatruas.
Hoje, a Sefaz e seus auditores calam-se. Leniência? Sim. Não há expressão mais apropriada para os que podem se cúmplices de uma barbaridade.
Para não perder tempo, recorro ao relatório da Sefaz sobre a Cesta do Povo. Vou transcrever alguns trechos. A roubalheira era mais do que evidente. Era acintosa e inescrupulosamente aceita por uma cúpula que se fazia de cega. Está na sétima página da segunda parte da auditoria feita na Ebal em janeiro de 2007:
“ Pesquisa para comparar os preços de aquisição da Ebal  de frango congelado e de açúcar cristal revelou que o preço básico, ao mesmo fornecedor,  pela Ebal foi superior em até 18%, para o primeiro item, e 63,8% para o segundo, àqueles pagos por outras empresas. Segundo estimativa da auditoria, caso a Ebal adquirisse as mercadorias pelo preço pago por outras concorrentes poderia ter economizado R$ 3,5 milhões somente no ano de 2003.” Veja bem: estamos abordando apenas dois produtos – frango e açúcar.
O que está por trás disso são negociatas e transações imundas, toscas, vis, que aos poucos vamos ampliando para o grande público. Antes de concluir,  confesso o meu profundo e sincero agradecimento ao mestre Joaci Góes (veja artigo na página 4) que se incorpora ao pequeno batalhão na defesa dos interesses maiores da nossa Bahia.