Sindicato dos Servidores do Tribunal de Contas do Estado e dos Municípios da Bahia

TCE/BAHIA: A EBAL PEGA FOGO

19 fev 2010

Janio Lopo/ 19/02/2010

As conclusões do relatório da CPI da Ebal da Assembleia Legislativa são de meter inveja aos maiores escândalos já praticados neste país. Sou capaz de afirmar que a história recente da Bahia – os últimos 30, 40 anos – não registra com documentos e testemunhas atentado de tal porte contra os cofres públicos.
A administradora da Cesta do Povo, oficialmente, deixou um buraco de R$ 600 milhões para o governo Wagner tapar, mas especialistas da área calculam que essa cifra extrapole R$ 1 bilhão, já que se trata de um programa reconhecidamente deficitário e cuja existência (ou boa parte dela) serviu apenas para enriquecer ilicitamente uma verdadeira quadrilha, acusada de um rosário de crimes pela Comissão Parlamentar de Inquérito que encerrou seus trabalhos em 2008. Seus diretores, empresários e fornecedores já darei os nomes – foram enquadrados nos crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa, corrupção passiva, falsidade ideológica, prevaricação, falso testemunho e outras indecências.
Entretanto, todos, literalmente todos, não sofreram qualquer tipo de punição. Resultado: a população miserável da Bahia viu jorrar pelo ralo imundo da falcatrua e da sujeira,  cometidos pelos homens de colarinho branco, uma importância (R$ 1 bilhão) capaz de amenizar o sofrimento dessa gente carente e esquecida pelos poderes públicos.
Corro contra o tempo. Limitar-me-ei a reproduzir trechos da CPI da AL – obviamente seus pontos mais picantes e esclarecedores. Vamos aos nomes envolvidos mais diretamente nas irregularidades. Entre eles estão ex-dirigentes da Ebal, empresários e líderes de entidades filantrópicas  – Omar Brito (ex-presidente da Ebal) apontado como o dono dos cofres, inclusive dos cofres alheios.
Há ainda Geraldo Silva de Oliveira, Antonio Mário Dantas Bastos, Leôncio Cardoso Neto, José Gomes de Araújo, Catiuscia Souza Alves, Silvio Antonio Cabral da Silveira, Marcos de Paiva Silva, Cosme Bispo dos Santos e Ednaldo Casaes. A maioria (todos, aliás) responde por prática de mais de um crime. Nos próximos artigos diremos quem é quem. O relatório da CPI é recheado de todo tipo de espetáculo. São cenas inimagináveis que aterrorizam pela capacidade infame e insaciável de se atentar contra o contribuinte. Leia esse trecho da página 102 da CPI:
“A quebra de sigilo bancário junto aos entes financeiros revelam à sociedade que o senhor Osmar Britto praticou improbidade administrativa na medida em que se utilizou do cargo de presidente da Ebal para obter das empresas Comasa Construtora Ltda e Silveira Empreendimentos Ltda, através dos respectivos sócios José Gomes e Silvio Silveira, elevadas somas em dinheiro que eram depositadas, amiúde, nas suas próprias contas bancárias.”
Com o espaço escasso, vamos deixar para amanhã o relato do Carnaval de dinheirama distribuído por fornecedores a diretores da Ebal, sempre conforme o relatório da CPI. Há casos até de obras contratadas que nunca foram feitas, mas custaram milhões que foram parar em contas milionárias dos nobres atores que fazem parte desse circo vagabundo, embora rentável para mais de meia dúzia de espertalhões “condenados”, graças à passividade do Estado, do Ministério Público e da Justiça a viverem na mais completa paz e abundância.