Sindicato dos Servidores do Tribunal de Contas do Estado e dos Municípios da Bahia

SABOTAGEM POR DENTRO

18 jan 2010

Janio Lopo

Setores do PT inconformados com o crescente espaço dado ao PP no Governo do Estado estão distribuindo um documento com bombásticas informações sobre a Ebal, no Governo Paulo Souto. Mas o alvo não é o concorrente de Wagner na disputa por Ondina e sim o também ex-governador e conselheiro do Tribunal de Contas Otto Alencar. Esses segmentos, que engoliram goela abaixo o ingresso de João Leão, Roberto Muniz e cia, consideram a gota d´água a cessão de uma das vagas ao Senado para Otto e deixam claro que essa é apenas a primeira ação de guerrilha para sabotar a chapa que, ao que parece, de petista mesmo só terá o governador. Não se trata aqui de um documento qualquer, redigido sob a emoção de interesses contrariados.
É o relatório de uma investigação da Auditoria Geral do Estado a pedido do secretário da Fazenda, Carlos Martins, doze dias após assumir o cargo.  São 353 páginas, em dois volumes, com farta documentação que, somados os valores monetários de todas as irregularidades e os prejuízos operacionais acumulados no período investigado, pode chegar a um buraco de R$ 1 bilhão, quando a Ebal tinha no comando Omar Antônio de Brito, sabidamente um apadrinhado de Otto.
O documento traz a assinatura da auditora chefe, Teresa Machado Guerreiro de Freitas, de outros quatro auditores e três coordenadores. A suspeita inicial recaía sobre a área de publicidade do Governo Souto, com citação expressa às agências Interamericana (Propeg) e SLA, mas nada contra essas empresas aparece no relatório. As irregularidades estariam na manutenção predial e informática. Os crimes seriam os de sempre: fraudes em licitações, superfaturamento de preços, recebimento de pagamentos sem comprovação de serviços ou vendas realizadas, sonegação fiscal e por aí vai.
A auditoria revela um esquema muito mais grave do que aparece nas investigações do Ministério Público que, aliás, não foram adiante (até porque o MP tem coisas mais importantes para tratar, como jegues na Lavagem do Bonfim). No emaranhado do suposto esquema, os destaques são a Organização do Auxílio Fraterno (OAF) e a Comtec Informática. A primeira uma entidade de assistência às crianças e adolescentes que tinha conceito internacional.
De acordo com a AGE, as falcatruas superariam R$ 33 milhões (o MP chegou a R$ 21 milhões). Acrescenta-se que meses antes da contratação da entidade com dispensa de licitação, o seu presidente era o Padre Clodoveo Piazza que, na época em que o contrato foi assinado, estava no governo, como secretário de Combate à Pobreza. Hoje, Piazza vive em Moçambique. A Comtec venceu todas as licitações para a venda de equipamentos e assistência técnica na área de informática. Licitações que, de acordo com AGE, foram grosseiramente dirigidas.
Tem também preços superfaturados, equipamentos que teriam sido pagos sem comprovação de entrega, etc. A empresa teria pelo menos uma vinculação política indireta: um dos seus proprietários é casado com uma integrante da família Magalhães.  Pergunta-se: Por que o relatório da auditoria não se tornou público? Por que o governador e o seu partido se silenciaram e pior, não tomaram providências para reaver o prejuízo milionário causado aos cofres públicos? E por que diabos a apuração do escândalo da Ebal não anda, nem na Assembléia, no MP ou na Justiça?   Quanto a Otto Alencar, o recado parece claro: os “homens-bomba” do PT não vão lhe dar boa vida.
http://www.tribunadabahia.com.br/coluna.php?cCanal=18