Sindicato dos Servidores do Tribunal de Contas do Estado e dos Municípios da Bahia

O INÍCIO DA CESTA

10 fev 2010

Janio Lopo/ 10/02/2010

Desde o início da série de comentários sobre a Cesta do Povo, procurei deixar clara minha intenção de não politizar o tema. O que queria como cidadão, e refletindo o desejo de toda a sociedade, era saber onde se encontram os quase (ou mais) de R$1bilhão de prejuízo da Ebal, que administra o programa, ao longo dos últimos anos, em especial antes de assunção do governador Jaques Wagner ao cargo. Relatório da Secretaria da Fazenda acusa todas as irregularidades encontradas na empresa, mas há um jogo de faz-de-conta no ar.
A Sefaz faz de conta que esmiuçou as supostas falcatruas, o Tribunal de Contas do Estado faz de conta que os resultados da fiscalização são pertinentes, a CPI da Ebal faz de conta que não deixou pedra sobre pedra e o Ministério Público faz de conta que todos os envolvidos e citados nas tramamoias foram punidos. A realidade, porém, é outra. Ninguém se atreve a retirar a pedra que encobre as possíveis maracutaias da Ebal.
Ontem bati um papo com um dos idealizadores da Cesta do Povo, Job Brasileiro, que coincidentemente é do quadro diretivo do PPS,  partido que transmitiu a mim, através dele, troda solidariedade e prometeu pressionar o governo para que alguns mistérios sejam trazidos a público. Job é economista e advogado. Ele lembrou que o programa surgiu em 1979 e foi logo acatado pelo governador Antonio Carlos Magalhães.
Ele faz um resumo sobre o histórico da Cesta e seus objetivos originais, que mais tarde foram desvirtuados. Na concepção preliminar, a Cesta do Povo deveria comercializar apenas de 10 a 15 produtos imprescindíveis às classes mais pobres da população. A mercadoria era comercializada em feiras móveis e em postos fixos. Sob o pretexto de que os produtos básicos tinham margem limitada de lucro operacional, a nova direção da Ebal aumentou gradualmente os itens comercializados, alcançando mais 2.200.
Job diz ainda que os indícios de corrupção e mau uso do dinheiro público foram expostos logo após a posse de Waldir Pires (1987).  Sindicâncias foram abertas para apurar os atos ilícitos, mas tudo acabou em pizza. Melhor: os ex-gerentes e dirigentes apontados como responsáveis por dilapidar a Cesta do Povo retornaram aos seus postos logo após a eleição de ACM, agora mais prestigiados do que nunca.
Job garante que trata-se de uma caixa-preta que pode facilmente ser aberta. Basta determinação política, o que, aliás, ele cobra do governo Wagner. Volto ao assunto