Sindicato dos Servidores do Tribunal de Contas do Estado e dos Municípios da Bahia

MSTS: PROTESTA POR MORADIA NA BAHIA

20 jan 2010

CERCA DE MIL PESSOAS SEGUIRAM DE MUSSURUNGA AO CAB PARA COBRAR CASAS AO GOVERNO

JURACY DOS ANJOS
O sol forte que fazia ontem à tarde não impediu que aproximadamente mil manifestantes dos movimentos por moradia em Salvador bloqueassem a Avenida Paralela por três horas. Eles iniciaram o protesto em frente à Estação Mussurunga e seguiram a pé até o Centro Administrativo da Bahia (CAB) para se reunir com os secretários estaduais de Relações Institucionais, Rui Costa, e de Desenvolvimento, Afonso Florence.
Entre as pessoas que marchavam na tentativa de chamar atenção do poder público, idosos e crianças pequenas que sofriam com o calor intenso, como os três filhos de Edilene Santana, 25 anos.
“Estamos aqui para lutar pelo direito à moradia. Moramos em uma ocupação no Centro da cidade e corremos o risco de sair. Se isso acontecer, estaremos na rua”, argumentou a mãe dos pequenos.
Segundo Idelmário Proença, líder do Movimento dos Sem-Teto de Salvador (MSTS), “o objetivo da manifestação é sensibilizar o governo para garantir maior oferta de casas para Salvador pelo Programa Minha Casa, Minha Vida e tentar minimizar o problema de habitação na cidade”. A capital, ainda de acordo com ele, possui o maior déficit habitacional do Estado, chegando a 150 mil unidades.
“Apesar disso, o Estado assinou um documento de intensão com a Caixa Econômica para a construção de pouco mais de quatro mil unidades na Avenida Assis Valente, em Cajazeiras, para atender mais de 200 mil inscritos no programa federal e à demanda dos movimentos por moradia. Isso é muito pouco”, reclama Proença.
A manifestação provocou transtornos para os motoristas que trafegavam em direção ao Iguatemi. Segundo agentes da Superintendência de Trânsito e Transporte do Salvador (Transalvador) que estavam no local, o congestionamento pode ter ultrapassado a região do aeroporto de Salvador.
Carros com pessoas doentes e ambulâncias só conseguiram romper o bloqueio depois de muita argumentação com os manifestantes, uma vez que não existiam policiais para controlar o protesto.
Por conta disso, focos de confusão entre pessoas que protestavam e condutores foram registrados no decorrer da manifestação.
O motorista Roberto Santos, irritado com o protesto, classificou o movimento como “baderna”. Já a carona Dulce Lemos se solidarizou com a reivindicação: “É preciso respeitar”.
Até o fechamento desta edição, a reunião dos secretários estaduais com os manifestantes não tinha terminado