Sindicato dos Servidores do Tribunal de Contas do Estado e dos Municípios da Bahia

DEPUTADOS AFIRMAM SER JUSTO O AUXÍLIO-MORADIA

07 maio 2011

Lílian Machado

Em BRASÍLIA,

Um dia após o jornal Tribuna ter divulgado reportagem sobre o auxílio-moradia no valor aproximado de R$2 mil recebido pelos deputados baianos na Assembleia Legislativa, a maioria dos procurados ressaltaram “ser justo” o benefício. A reportagem também buscou, mas não teve acesso, na Casa, à resolução que instituiu a prerrogativa há cerca de dez anos. Funcionários do parlamento evitaram falar sobre o assunto.

Questionado sobre a verba, o deputado Álvaro Gomes (PCdoB) disse desconhecer que o termo utilizado seja auxílio-moradia, mas destacou que o suposto benefício acaba servindo na manutenção da estrutura cotidiana do mandato. O comunista disse que a “medida é questionável”, enquanto ajuda para residência. “Mas nesse aspecto de cobrir custos do dia a dia não acho que seja algo antiético”, defendeu.

Cada deputado tem direito também a uma verba de R$29 mil por gabinete que custeia itens como divulgação da atividade parlamentar; locomoção e hospedagem; aquisição ou locação de software; serviços postais; assinatura de consultorias, assessorias para pesquisas e trabalhos técnicos.  .

“O mandato tem muitas despesas que você não teria em situação normal. Somos procurados diariamente com pedidos. Gasto maior parte da verba (indenizatória) com a divulgação do meu mandato, justificou Álvaro, citando um programa de um minuto sobre “inclusão social”, exibido em uma televisão local, todos os dias.

Recém-chegada ao parlamento, a deputada Luiza Maia (PT) admitiu que o benefício envolve “uma estrutura que a Casa permite e que é muito boa para os deputados, mas o importante é trabalhar e prestar contas com transparência, apoiando a luta e buscando o direito das pessoas”. Segundo ela, os recursos oferecidos dão suporte à atuação dos parlamentares. “Contanto que seja gasto com transparência. Você não pode é fazer daqui do parlamento como se fosse sua casa”, amenizou.

Outros deputados com domicílio eleitoral no interior também consideram legal o auxílio. “Acho justo, pois sou da região de Porto Seguro, Eunapólis, e pago aluguel em Salvador que vale mais do que o auxílio”, afirmou o deputado Ronaldo Carletto (PP). Com origem em Itabuna, o deputado Augusto Castro (PSDB) também disse ser viável. “Minha base é aqui (Itabuna). Em Salvador tive apenas 400 votos”, considerou. Outros deputados foram procurados, mas não quiseram fazer declarações abertas sobre o assunto. (LM).