Sindicato dos Servidores do Tribunal de Contas do Estado e dos Municípios da Bahia

CRESCEM QUEIXAS POR ASSÉDIO MORAL NA BAHIA

03 jul 2010

Vanessa Alonso | A TARDE

O número de vítimas de assédio moral no trabalho é crescente na Bahia. A prova disso é que, só no no Centro Estadual de Referência em Saúde do Trabalhador da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Cesat-Sesab), dos 39 casos de trabalhadores com   transtornos mentais e comportamentais decorrentes da profissão confirmados em 2009, 13 são em consequência da prática abusiva. Em 2007, por exemplo, o número de casos confirmados não ultrapassou cinco – incluindo outros motivos para as patologias.

“Ser vítima de assédio moral já era uma queixa secundária em trabalhadores que eram atendidos por conta de outras doenças, mas como queixa principal tem crescido nos últimos dois anos”, afirma a titular da Coordenação de Atenção à Saúde do Trabalhador da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia, Ely da Silva Mascarenhas.

De acordo com o procurador Manoel Jorge e Silva Neto, coordenador do Núcleo de Combate à Discriminação no Trabalho do Ministério Público do Trabalho na Bahia, o assédio moral se caracteriza por atos repetitivos para humilhar e reduzir a autoestima do funcionário, como utilizar apelidos, censurar em frente a clientes e fazer exigências absurdas.

Para a advogada trabalhista Ana Cristina Carvalho de Souza, o aumento no número de casos se dá por conta da conscientização dos funcionários: “Antes eles não tinham noção de que podiam reclamar, muitos empregados simplesmente pedem demissão ou abandonam o emprego.  E agora também as faculdades estão começando a estudar isso e criar doutrinas”.

Já a socióloga e pesquisadora de Gênero, Trabalho e Saúde do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (Neim-Ufba), Petilda Vasquez, acredita que o assédio moral se intensificou na modernidade por conta da lógica produtiva  das organizações. “O modelo da organização capitalista estabelece valores de produtividade e excelência que propiciam o controle sobre o corpo e a mente do indivíduo”, critica Petilda.

 

http://www.atarde.com.br/economia/noticia.jsf?id=4721930
O que a vítima deve fazer?
Resistir: anotar com detalhes toda as humilhações sofridas (dia, mês, ano, hora, local ou setor, nome do agressor, colegas que testemunharam, conteúdo da conversa e o que mais você achar necessário).
Dar visibilidade, procurando a ajuda dos colegas, principalmente daqueles que testemunharam o fato ou que já sofreram humilhações do agressor.
Organizar. O apoio é fundamental dentro e fora da empresa.
Evitar conversar com o agressor, sem testemunhas. Ir sempre com colega de trabalho ou representante sindical.
Exigir por escrito, explicações do ato agressor e permanecer com cópia da carta enviada ao D.P. ou R.H e da eventual resposta do agressor. Se possível mandar sua carta registrada, por correio, guardando o recibo.
Procurar seu sindicato e relatar o acontecido para diretores e outras instancias como: médicos ou advogados do sindicato assim como: Ministério Público, Justiça do Trabalho, Comissão de Direitos Humanos e Conselho Regional de Medicina (ver Resolução do Conselho Federal de Medicina n.1488/98 sobre saúde do trabalhador).
Recorrer ao Centro de Referencia em Saúde dos Trabalhadores e contar a humilhação sofrida ao médico, assistente social ou psicólogo.
Buscar apoio junto a familiares, amigos e colegas, pois o afeto e a solidariedade são fundamentais para recuperação da auto-estima, dignidade, identidade e cidadania.