Sindicato dos Servidores do Tribunal de Contas do Estado e dos Municípios da Bahia

A CESTA NÃO É DO POVO

04 fev 2010

Janio Lopo /04/02/2010

O grau de indignação demonstrado por políticos e empresários  aqui citados nos comentários sobre o escândalo da Ebal, através de e-mails enviados ontem para mim em função de um novo comentário sobre o tema, me leva a duas premissas. Primeira: o atual governo do Estado comeu mosca e omitiu-se na investigação e punição dos responsáveis pelo rombo na empresa, à época, de R$ 600 milhões (hoje estaria na casa de R$ 1 bilhão).
Segundo: o relatório da Secretaria da Fazenda, cuja cópia tenho em meu poder, teria sido elaborado com o único propósito de denegrir a imagem dos antecessores de Jaques Wagner e, portanto, não merece a mínima confiança. Seria fajuto e pretensioso, o que colocaria em xeque o comportamento ético do corpo técnico da Sefaz que o confeccionou. Certo ou errado?  Nada invalida, porém, o questionamento sobre o trabalho do Ministério Público Estadual, que, saliente-se,  apontou várias irregularidades em transações na estatal e tampouco os pífios resultados da CPI instalada na Assembleia Legislativa para investigar as hipotéticas falcatruas.
 O curioso, porém, é que o MP e a AL agem como se tivessem soterrado o passado. O próprio governo baiano o faz assim. Episódio como o da Agerba, que seria uma formiga ante o elefante que fez da Ebal a sua moradia é tratado como algo assombroso, quando nuvens misteriosos teimam até hoje em encobrir o céu da Cesta da Povo. Ou Cesta do Bobo, como queiram.
 Só ontem recebi várias manifestações de personalidades aqui citadas no caso Ebal. Vou resumi-las, mas com a promessa de, no decorrer dos próximos dias, publicá-las na íntegra em função do pouco espaço da coluna. Mencionado por mim anteontem, o empresário Geraldo Brandão, cafeicultor, nega qualquer relação com dirigentes da Ebal, ontem ou hoje,  confirmando apenas  a amizade nutrida com conselheiro Otto Alencar. Aliás, através de e-mail, o próprio Otto me mandou a seguinte mensagem:
“Estou afastado das minhas atividades há mais de 60 dias e ainda convalesço de uma cirurgia para retirada de um câncer de próstata em 17-12-2009, além de ter sido  acometido no dia 10-01-2010 de um problema cardíaco, o que me levou ao tratamento com cardiologistas e do qual me recupero com a força da fé e a ajuda de Deus. Vejo, agora, por meus assessores, várias matérias publicadas na sua coluna em que fica claro o esforço de me envolver com atos praticados por outros e já apurados na auditoria da Secretaria da Fazenda e na CPI da Ebal realizada no ano de 2007, período em que não tive ou tinha qualquer contato com o atual governo. Em nenhum dos dois relatórios meu nome é sequer citado por pessoas ouvidas,  envolvidos, testemunhas, empresários ou acusados”.
Devo dizer duas coisas:  não tenho absolutamente nada contra o conselheiro do TCM, exceto uma pública simpatia. Ele, inclusive, se dispôs a depor na CPI da AL, que o liberou. O nome de Otto surgiu nessa história após ser  apontado por petistas inconformados com sua indicação para uma das vagas ao Senado ao lado de Wagner.
 Por fim, recebi um desaforado e-mail do deputado Ângelo Coronel, com ameaças de processar-me, mas admitindo que tem familiares que são fornecedores à Ebal. O e-mail de sua excelência publicarei amanhã por ser mais extenso. Mas, uma observação: caro deputado, mesmo na época da ditadura, nunca tive medo nem tampouco me curvei a generais. Jamais o faria agora para um coronel em plena democracia, mesmo que seja uma patente de mentirinha. Não temo sua arrogância nem prepotência. Acredito que, a partir de hoje, o escândalo da Ebal começa, efetivamente, a ser desvendado.
http://www.tribunadabahia.com.br/coluna.php?cCanal=18